Cantinho Geek: Camila Cruz
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12 agosto, 2018

[Filme] A mala e os errantes
agosto 12, 20180 Comentários
Geralmente tento ver o melhor dos filmes, mas A mala e os errantes tem pouquíssimo o que salvar.

Apesar de algumas risadas e filmagens bacanas do upstate de Nova York, o longa peca em todo o restante pelo número de absurdos. E olha que eu costumo gostar bastante de absurdos na ficção — sou fã de David Lynch, afinal —, mas é possível notar quando eles são fruto de descuido e quando são planejados.



Em A mala e os errantes, Danny (Callum Turner) é ajudante de cozinha em um restaurante italiano, enquanto a misteriosa Ellie (Grace Van Patten) precisa de dinheiro para voltar para casa e pagar dívidas. Ela aceita o plano em troca de dinheiro, mas Danny é obrigado a fazer parte pelo irmão, Darren (Michal Vondel), que deveria ser o responsável pela mala, mas acabou preso antes do plano ser colocado em prática.

A mala e os errantes é só um grande descuido do começo ao fim. Introduzem um mistério pretensioso na forma de uma mala protegida por um plano mirabolante apenas como desculpa para uma aproximação sem muito sentido de dois jovens adultos (quase adolescentes) rebeldes. Embora exista a sugestão de um romance, até ele fica apenas na promessa.



Ok que o título original, Tramps, não menciona nenhuma mala, mas todo o roteiro teoricamente deveria se basear na troca de uma mala. A história, porém, é tão mal construída que isso sequer acontece. Quer dizer, a perda da mala original gera praticamente todo o enredo do filme, mas a troca, que deveria ser essencial no plano, nunca chega a acontecer. Mesmo assim, sem nenhuma explicação, o plano continua apenas com a mala original.

Além disso, o conteúdo da mala é o que menos importa. Temos por aí centenas de filmes ótimos que se constroem ao redor de algo que não tem realmente explicação. Muitos dos filmes do Hitchcock são baseados nesse tipo de narrativa, onde o objeto passou a ser chamado de MacGuffing. O problema real está na falta de amarração da trama — e, ainda, em uma revelação desnecessária que ainda mostra que, apesar de ser a mala errada, é a mala certa (por mais contraditório que possa parecer).



O filme tenta passar uma imagem descolada e rebelde que acaba não colando e é difícil compreender como um continuista deixou elementos tão essenciais passarem despercebidos. Se você quer ver um filme independente, tem opções bem melhores até dentro da própria Netflix, a não ser que não se importe em ver alguma coisa com pouca plausibilidade narrativa.

Minha única apreciação foi pelas sequências filmadas em Poughkeepsie, com o Hudson de fundo. Agora, é claro, tem quem aprecie esse tipo de filme. Se for seu caso e você não se importar muito com buracos no roteiro, talvez até goste.

Se quiser apenas passar o tempo e passear com os personagens pelas linhas férreas de NY, o filme está disponível na Netflix e ainda dá para conferir o trailer (infelizmente sem legendas) aqui:





Avaliação:
1/5

05 agosto, 2018

[Resenha] As Elizas — Sara Shepard
agosto 05, 2018 2 Comentários

Embora já tenha ouvido falar da série Pretty Little Liars, nunca me interessei o bastante para encarar as 7 temporadas disponíveis. Portanto, meu primeiro contato com o trabalho de Sara Shepard foi quando escolhi As Elizas como nova leitura.

O que me chamou atenção inicialmente foram as comparações. As principais propagandas apontavam para um suspense tão bom quanto os de Hitchcock, de quem gosto bastante. Portanto, livro prometia ser um prato cheio para um dos meus estilos favoritos de narrativa e, veja só, a promessa foi cumprida!

As Elizas conta a história de uma jovem autora, Eliza Fontaine. Eliza é uma autora estreante que terá um livro publicado em breve. A obra, intitulada "As Dots" se torna, então, um livro dentro do livro e prossegue seu desenvolvimento de acordo com os acontecimentos misteriosos da vida de Eliza.



As narrativas são alternadas: nas passagens de As Dots, conhecemos a jovem Dot e sua tia, Dorothy, em uma ágil narrativa em terceira pessoa. As personagens em as Dots são bastante carismáticas e a situação que vivenciam acaba ligando facilmente o leitor a elas.

Já nas passagens de Eliza, narradas em primeira pessoa, a coisa é um pouquinho diferente. Eliza não é exatamente uma personagem com a qual conseguimos simpatizar facilmente, o que só é agravado pela sua possível loucura e comportamento autodestrutivo. Eliza, aliás, nem faz questão de parecer alguém agradável. Ela mesma aponta seus defeitos e denuncia diversas ações tomadas deliberadamente para prejudicar terceiros. Não vejam, porém, isso como algo negativo: a maior parte das ações e comportamentos fazem parte do desenvolvimento da personagem e a forma como Sara Shepard construiu isso foi realmente incrível.

Os personagens secundários também têm seu carisma, com destaque para o esquisitíssimo Desmond, que é uma mistura de galã feio com alívio cômico.

O livro mistura teorias da conspiração, suspense psicológico e um clima investigativo onde todo mundo pode ser suspeito de estar tentando assassinar Eliza.

A tradução é de Elisa Nazarin é de ótima qualidade, algo que realmente precisa ser apontado entre as grandes editoras nos últimos anos.




O volume tem 384 páginas e foi lançado apenas em e-book e brochura pela Harper Collins Brasil.
Se você for fã de cinema noir, talvez ache o final um tanto previsível. Aliás, o livro é cheio de referências ao cinema clássico e pode ser até considerado uma espécie de homenagem a ele, porém, adaptado para uma narrativa na Los Angeles moderna.

Mesmo se não estiver acostumado com as reviravoltas de suspenses e mistérios dos anos 40 e 50, certamente irá se deliciar com uma trama envolvente e cuidadosa, que deixa uma centena de pistas pelo caminho para que possa tentar resolver o mistério por conta própria.



Avaliação:
4/5

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25 julho, 2018

[Curiosidades] Livros e filmes sobre escritores para comemorar o dia do escritor!
julho 25, 2018 16 Comentários
Há quem diga que o assunto favorito dos escritores são eles mesmos. Por isso, neste dia do escritor, o Cantinho Geek selecionou algumas obras para te ajudar a entrar no mundo dos responsáveis pelas histórias que tanto amamos.
Preparados para comemorar o dia do escritor com a gente? Tentamos sair um pouco do lugar-comum, evitando as obras que são mais comumente citadas nessas listas. Confira, então, nossa seleção de livros, filmes e até trilha-sonora sobre escritores e o processo criativo.


Livros




1. Possessão (A. S. Byatt)


Possessão é um livro da autora inglesa A. S. Byatt. Ele foi lançado no Brasil em 1992 pela Companhia das Letras e, em 2002, transformado em filme por Neil LaBute.
A história se passa em dois tempos diferentes: na Inglaterra Vitoriana e também na moderna. A maneira como a trama é construída, misturando pistas em arte para investigação, provavelmente inspirou a febre do início dos anos 2000, que teve seu boom com Código Da Vinci (Dan Brown).
Maude Bailey (Gwyneth Paltrow) e Roland Michell (Aaron Eckhart) são estudiosos de literatura que pesquisam respectivamente os poetas vitorianos Christabel LaMotte (Jennifer Ehle), uma escritora feminista, entusiasta de fadas e melusinas, e Randolph Henry Ash (Jeremy Northam), um poeta mais romântico. Através de pistas em seus textos e do rascunho de uma correspondência encontrada por acaso em um dos antigos livros de Ash, os estudiosos descobrem um vínculo até então desconhecido entre os escritores.
A escrita de A. S. Byatt é muito gostosa e versátil. A maneira como escolheu contar a história é interessantíssima: além da narrativa em terceira pessoa, o livro ainda inclui obras dos dois escritores e as correspondências trocadas por eles, além de trechos do diário da esposa de Ash.
Vale lembrar que os escritores são fictícios, mas A. S. Byatt. é talentosa o bastante para dar vozes diferentes para cada um deles, o que os torna muito palpáveis durante a leitura.
A versão cinematográfica também conta com a participação de Lena Headey (a Cersei de Game of Thrones) interpretando a pintora Blanche Glover, companheira de Christabel LaMotte.



2. A Redoma de Vidro (Sylvia Plath)



Esta obra de Sylvia Plath foi duas vezes adaptada para o cinema (1978 e 2018) e, apesar de ser considerada uma ficção, é quase uma autobiografia da escritora norte-americana.
Seguimo Esther Greenwood desde seu estágio em uma famosa revista de moda, até os problemas com os quais ela tem que lidar. Sylvia é mais conhecida por sua poesia, sendo este livro sua única incursão conhecida na narrativa.
Além da escrita, a obra aborda temas como relacionamentos, depressão, ansiedade e a situação nada favorável dos hospitais psiquiátricos dos anos 60.
É uma leitura simples e muito indicada, que conta com várias versões em português. A mais recente é a da Biblioteca Azul.



3. Os Belos e Malditos (F. Scott Fitzgerald)



F. Scott Fitzgerald é um autor americano, mais conhecido por obras com adaptação para o cinema como O Grande Gatsby e O Curioso Caso de Benjamin Button.
O autor é tem a fama de inserir fatos da própria vida ao lado da esposa, Zelda Fitzgerald, em muitas de suas histórias. O que possivelmente acontece também em Os Belos e Malditos, já publicado no Brasil pela L&PM Pocket e pela Bestbolso.
No romance, o jovem Anthony se apaixona por Gloria, a mulher dos seus sonhos. Anthony é o herdeiro presuntivo de um avô milionário, formado em Harvard e boêmio, mas sonha em ser escritor. Gloria, uma mulher maravilhosa e cortejada por diversos rapazes, é muito mimada e caprichosa, e entre seus caprichos, diz que gostaria de atriz de cinema mudo. Juntos, ambos tentam correr atrás de seus sonhos na Nova York dos anos 20 e se deparam com algumas das dificuldades da vida adulta.
Fitzgerald tem uma escrita quase poética, mesmo que seus romances tenham a tendência de ser um tanto ácidos ao se referir ao círculo que ele mesmo frequentava.


4. As Elizas (Sara Shepard)



Este lançamento da Harper Collins Brasil vai contar com uma resenha mais ampla aqui no blog em breve, mas não poderia ficar de fora da nossa lista!
As Elizas é um suspense de Sara Shepard (Pretty Little Liars) que prende nossa atenção e enche de curiosidade a respeito do que realmente está acontecendo com a protagonista.
A estrutura me remeteu vagamente a Possessão  (citado acima), com trechos do livro da protagonista alternados com acontecimentos misteriosos da vida da autora.
A leitura prende e é impossível não se afeiçoar por alguns dos personagens, mesmo que você não tenha certeza em quem pode confiar ali.


5. O dia em que a Inspiração apareceu (Rob Gordon)



Este é, na verdade, um conto do paulista Rob Gordon, um dos fundadores do já famoso Podcast Gente que Escreve.
O título já diz bastante sobre o tema. Além de abordar a inspiração, o texto conta com ótimas reflexões sobre a relação de um autor com seu público e vice-versa. A leitura vale a pena muito a pena e o texto está disponível apenas na Amazon. Para quem tem Kindle Unlimited, a leitura é gratuita!


Como bônus, ainda podemos citar:
  • O Iluminado (Stephen King)
  • Máquina de Pinball (Clara Averbuck)
  • Misery (Stephen King)
  • Jane Austen, A Vampira (Michael Thomas Ford)
  • As Horas (Michael Cunningham)



Filmes




1. Mary Shelley (Haifaa Al-Mansour, 2017)


Com Elle Fanning no papel-título, Mary Shelley aborda parte da vida pouco convencional da autora de Frankenstein. Apesar de viver na Inglaterra Vitoriana, Mary era filha de uma autora feminista e foi fruto de  um relacionamento poliamoroso, o que na sociedade na qual vivia, a estigmatizou por toda a vida.
O filme ainda dá algumas pistas de como ela pode ter encontrado inspiração para sua obra mais célebre. O roteiro também passa pela lendária viagem onde Mary, o companheiro e também escritor Percy Shelley (Douglas Booth), Lord Byron (Tom Sturridge) e Polidori (Ben Hardy) começaram a desenvolver algumas de suas obras como parte de um desafio.
Nesta noite, duas obras de terror lendárias nasceram: O Vampiro (iniciado por Byron e finalizado por Polidori) e Frankenstein.



2. Lua de Fel (Roman Polanski, 1992)


Um clássico do diretor francês, Lua de Fel é um filme que pode ser de difícil digestão para alguns espectadores. Na trama, dois casais se conhecem em um cruzeiro. No decorrer da viagem Oscar (Peter Coyote), um homem maduro, milionário e aspirante a escritor, conta a Nigel (Hugh Grant), rapaz mais novo e gentil, como conheceu sua jovem esposa, Mimi.
O romance de Oscar e Mimi é narrado pelo escritor para o seu público de um homem só, como se, assim, pudesse enfim desenvolver sua obra prima jamais escrita.
Lua de Fel é uma mistura de drama e suspense, com pitadas de romance. É aconselhável para maiores de 18 anos e que não sejam muito sensíveis.



3. Contos Proibidos do Marquês de Sade (Philip Kaufman, 2000)


Figura polêmica, o Marquês de Sade (Geoffrey Rush) passou os últimos anos da sua vida preso em uma cela de manicômio. Ainda assim, seu impulso pela escrita o consumia. Mesmo quando lhe tiram todas as penas e papéis, ele busca formas de desenvolver e publicar seus textos.
O filme pode não ser indicado aos mais sensíveis, já que o Marquês é conhecido por temas como sexo e sadomasoquismo. O elenco ainda conta grandes nomes como Kate Winslet (Titanic), Joaquin Phoenix (Her), Michael Caine (O Grande Truque) e Stephen Moyer (True Blood).



4. Professor Marston e as Mulheres Maravilha (Angela Robinson, 2017)



A origem da Mulher Maravilha é mais curiosa do que pode parecer. Originalmente formado em psicologia e professor da Harvard William Moulton Marston acaba afastado de seu emprego na faculdade.
Enquanto tenta ainda desenvolver uma de suas teses, William se inspira no bondage e nas mulheres com que mantém uma relação poliamorosa (interpretadas por Rebecca Hall  e Bella Heathcote) para criar a maior heroína feminina de todos os tempos.



5. Violette (Martin Provost, 2013)



A cinebiografia da autora francesa Violette Leduc (Emmanuelle Devos) retrata a vida difícil da autora depois da guerra, lidando com problemas psicológicos em uma sociedade pós-guerra.
O filme é um drama, que ainda aborda o relacionamento excêntrico de Violette com sua editora, Simone de Beauvoir (Sandrine Kiberlain) e a necessidade de buscar aceitação como pudesse.


  • Outros filmes que podemos citar são:
  • Em Busca da Terra do Nunca (Marc Forster, 2004)
  • Amor e Inocência (Julian Jarrold, 2007)
  • O Iluminado [lembrando que o King odeia a versão do Kubric, então indicamos a que ele mesmo produziu] (Mick Garris, 1997)
  • Uivo (Rob Epstein & Jeffrey Friedman, 2010)
  • Geração Prozac (Erik Skjoldbjærg, 2001)
  • Mistérios e Paixões (David Cronenberg, 1991)
  • Crepúsculo dos Deuses (Billy Wilder, 1950)
  • Sem Limites (Neil Burger, 2011)



Extra - Trilhas sonoras

1. Hamilton

Um musical sobre a independência dos Estados Unidos pode não ser exatamente o que você tinha em mente para essa lista, mas Hamilton tem músicas maravilhosas sobre a escrita.
Alexander Hamilton era, acima de tudo, um escritor e isso é abordado em diversas passagens do musical que virou febre no mundo inteiro desde seu lançamento em 2015.
Trechos como o de Non-Stop que diz Por que você escreve como se seu tempo estivesse acabando? Por que escreve por cada segundo da sua vida? ou de Burn Você me construiu palácios através de parágrafos, me construiu catedrais” comprovam a teoria.


2. Sunday in the Park with George



Sunday in the Park with George pode até ser sobre um pintor, mas dialoga muito com o processo artístico, principalmente a inspiração, perfeccionismo e a necessidade de parecer único em alguma coisa.
Você pode acompanhar esse vídeo da PBS no youtube que legendei para vocês (é só ativar a legenda no YT mesmo!) que fala justamente sobre inspiração e ser único em algo.
Em 2017 Jake Gyllenhaal interpretou George na Broadway e chegou a gravar um álbum do musical, que foi o que linkei no nome ali em cima!


3. Finding Neverland


A adaptação teatral do filme sobre como J. M. Barrie criou Peter Pan foi sensação nos palcos da Broadway e do West End. Algumas das músicas falam sobre o processo de escrita e até mesmo sobre bloqueio criativo.
A montagem original conta com Matthew Morrison (Glee) no papel do autor J. M. Barrie.
O roteiro é basicamente o mesmo do filme, abordando o relacionamento do autor com Sylvia Llewelyn Davies e seus filhos, porém, musicado. Pode ser uma ótima fonte de inspiração e, assim como os anteriores, está disponível no Spotify.

Espero que tenham gostado das nossas dicas para comemorar o dia do escritor. Parabéns a todos vocês que fazem os leitores viajarem através das palavras!
Não esqueça de compartilhar esse post para chegar a outros escritores!

20 julho, 2018

[Resenha] Os Imortalistas - Chloe Benjamin
julho 20, 2018 12 Comentários




Lançamento de junho de 2018 da Harper Collins, Os Imortalistas é um livro surpreendente, maravilhoso, e que aqui no Cantinho Geek pode ser seu. Leia mais sobre ele na nossa resenha e participe do nosso sorteio de top comentaristas do mês clicando aqui. Aproveite para participar enquanto ainda dá tempo!

No livro, que já figurou a lista de mais vendidos do The New York Times, os quatro irmãos Gold são parte de uma família judaica que vive em Nova York. Embora isso possa parecer algo bacana visto hoje, no ano de 1969 não era bem assim. Nova York era uma cidade bastante perigosa e diferente do polo turístico atual.
Filhos de uma secretária e um alfaiate, os Gold não tinham muito dinheiro e dividiam um quartinho apertado, onde duas beliches se espremiam e exigiam um contato muito próximo, mesmo que eles tivessem personalidades muito diferentes.


Varya, Daniel, Klara e Simon ainda estão entre a infância e início da adolescência. Cada um tem uma característica distinta: Varya é a irmã certinha, Daniel o rapaz corajoso, Klara a mocinha que quer saber mais sobre as raízes da família e adora mágica e Simon, o caçula de apenas 7 anos, é o queridinho de todos. Eles visitam uma vidente que diz ser capaz de prever quando cada um deles irá morrer. A exigência dela, porém, é que cada irmão tenha sua consulta individualmente. Por isso, durante muitos anos, os irmãos Gold não sabem o que a vidente disse para cada um.
A questão “se você soubesse a data de sua morte, como viveria sua vida?” aparece na sinopse do livro e é quase um resumo da temática dele.

Escrito inteiramente em terceira pessoa, Os Imortalistas é dividido em 5 partes. Cada uma focada em narrar a vida de um dos irmãos Gold e contando como o encontro com a cartomante afetou individualmente o destino deles.
Através dos Gold, conhecemos intimamente a realidade de diversas partes dos Estados Unidos desde os anos 70 até o momento atual. Convivemos com seus medos, dúvidas e a ansiedade crescente por uma data onde tudo terá um fim — mesmo sem saber com certeza se a profecia se concretizará ou não. É impossível não se pegar torcendo para que a vidente seja apenas uma charlatã. O livro faz com que você se apegue à família e torça pelos Gold, ou pelo menos pela maioria deles.
Apesar de o nome trazer uma ideia um tanto mística para o livro, ele é muito calcado na realidade e traz principalmente elementos de drama e um tanto de suspense. Em alguns momentos, você chega a quase esquecer que há uma contagem regressiva para cada personagem e acaba focando nos dramas atuais de cada um deles.

Há também uma série de pequenas adições interessantes e que podem variar muito de personagem para personagem, como o mundo da dança, do vaudeville, ilusionismo, pesquisas genéticas, além de discussões importantes, como alcoolismo, depressão, suicídio, homofobia, maternidade, TOC e a forma como o HIV surgiu nos anos 80. Tudo tratado de forma respeitosa e responsável.
A trama toda claramente envolve muita pesquisa e cuidado para amarrar alguns momentos com acontecimentos históricos. A própria autora, inclusive, trata de nos confundir  um pouquinho, mas sem nunca deixar de solucionar plausivelmente e amarrar cada ponta que tenha deixado solta.
Li o livro em apenas um fim de semana e me apaixonei pelas melhores características de cada um dos Gold.


Não dá pra deixar de citar que a Harper Collins caprichou nessa edição! Como podem ver nas fotos, ela foi feita em capa dura e impressa em papel de ótima qualidade. A arte de capa é linda e tem um acabamento fosco charmoso, mas que pode deixar marquinhas de dedos na superfície. De qualquer forma, basta um pano levemente úmido para deixá-la como nova outra vez.
Talvez a capa e sinopse dêem uma falsa impressão de algo mais voltado para o terror ou suspense sobrenatural, então é importante deixar claro que não é o caso. Os Imortalistas é um drama familiar muito mais agarrado à realidade, mas com doses de suspense e até de investigação policial.


A diversidade temática pode abraçar muitos públicos, uma vez que acompanha os personagens que transitam desde a adolescência da década de 80 até os dias atuais.
Esse é o primeiro livro de Chloe Benjamin traduzido para o português brasileiro, mas seria um desperdício se fosse o único (fica a dica, viu Harper Collins Brasil?). A tradução, aliás, foi muito bem feita e adaptada para a nossa língua, o que torna a leitura mais fácil e agradável.
Então se você gosta de ficção contemporânea, corre para comprar o seu ou tente participar do nosso sorteio!


Avaliação:
5/5
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